quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Vestimentas Indianas

Uma das principais vestimentas é o Sari, um tipo de roupa feminina, feito a partir de um longo tecido com 6m de comprimento, onde ele é todo enrolado e amarrado no corpo da mulher. Além do Sari, há também o Salwar Kameez que é um conjunto de túnica e calça de algodão e a Lehenga um traje social usado em festas e casamentos. Outra característica é o Bindi,um acessório que as mulheres colocam na testa.
Os homens vestem Dhoti, um peça de pano que eles enrolam nos quadris como calça. Uma túnica masculina chamada de Kurta e uma Dupatta que é um lenço colocado por cima da Kurta.


        Resultado de imagem para Anarkali
Anarkali - Vestido acinturado com corte evasê.




   Imagem relacionada
Bindi - Acessório colado na testa usado geralmente pelas mulheres casadas As solteiras não precisam usar.


Imagem relacionadaResultado de imagem para choli indiano
Choli - Típica camiseta indiana de comprimento curto, usada com saris.


Resultado de imagem para dhotiImagem relacionada
Dhoti - Peça de pano que os homens enrolam em torno dos quadris, como calça.

Resultado de imagem para dupatta                                             

Dupatta - Echarpe, lenço. A dupatta é tradicionalmente usada em ambos os ombros e ao redor da cabeça. No entanto, a dupatta pode ser usada como uma capa ao redor de todo o tronco. 



Resultado de imagem para kurta
Kurta - Túnica masculina ou feminina.
Resultado de imagem para kurta feminina







Resultado de imagem para Khussa


Resultado de imagem para Khussa
Khussa - Sapatilhas bordadas e supercoloridas.



                   Imagem relacionada                                 Resultado de imagem para Lehenga

Lehenga - Saia longa. Lehenga ou lehnga ou langa, Ghagra ou gagra, também Chaniya Pavadai e Lacha é uma forma de saia até o tornozelo usada por mulheres do subcontinente indiano que é longo, bordado e plissado. É usado como parte inferior de um Gagra choli ou Langa Voni.


               Imagem relacionadaResultado de imagem para pagri
Pagri - Turbante.






Resultado de imagem para Salwar KameezResultado de imagem para Salwar KameezResultado de imagem para Salwar Kameez

Salwar Kameez - Conjunto de kurta com corte reto e calça.



Resultado de imagem para sari
Sari - Vestimenta de tecido nobre usada pelas mulheres casadas. É combinada com a choli.


Imagem relacionada
Como vestir um sari?

Imagem relacionada
Sari - roupa tipica indiana




Resultado de imagem para churidar onlyResultado de imagem para churidar only
                               Shuridar - Calça ajustada com drapeados na parte inferior.


Gostou? Em breve na Loja da Iara


Fonte:
http://women-indian-clothing.blogspot.com/2013/01/churidar-salwar-kurta-designs.html
http://a7lamoda.blogspot.com/2014/11/launching-neoteric-collection-of.html
https://en.wikipedia.org/wiki/Clothing_in_India

Hand Block Printing



      O tradicional processo de impressão de blocos de mão em têxteis, com cores naturais ricas, tem sido praticado no Rajastão há cerca de 500 anos e foi introduzida na região pela comunidade de Chhipa. Esta comunidade foi originalmente localizada em Bagru Village, uma área hoje famosa por suas estampas de corante vegetal e de resistência à lama (dabu). A arte da impressão em bloco foi transmitida para gerações dentro de famílias e comunidades e se ramificou nas últimas décadas para outras regiões como Sanganer, ao sul de Jaipur. 
      Na tradicional impressão em bloco de estilo Bagru, as 'receitas' para os corantes tradicionais à base de plantas são desenvolvidas dentro de cada família e mantidas vivas de geração em geração. As cores dependem da qualidade das plantas, da água e da habilidade e conhecimento dos mestres da impressão.  A tinta é feita de lama engrossada com goma, argila e pó de ardósia e a tintura é natural, extraída de plantas e minerais: o vermelho, por exemplo, vem da cana-de-açúcar, e o azul, da folha de índigo.


PROCESSO

Escultura em blocos

        Uma impressão começa com o desenho, desenhada em papel e esculpida no bloco de madeira Sheesham. Desenhos são meticulosamente esculpidos à mão nos blocos que são aproximadamente 18-25 cm de diâmetro. O bloco físico é o design de uma única repetição, que é então estampada em fileiras no tecido. Cada cor do desenho é esculpida em um bloco separado. O bloco de estrutura de tópicos ou "rekh" é o mais complexo e geralmente gravado primeiro; é tipicamente o contorno de um desenho de tipo floral ou de treliça. Em seguida, vem o bloco de preenchimento ou 'datta' e, possivelmente, o bloco de cores do solo ou 'gud', dependendo do esquema de cores usado. A escultura em bloco é, em si mesma, uma arte que exige anos de aprendizado para ganhar maestria e é feita inteiramente à mão.  



Processo de impressão

        Cada padrão de cor é estampado individualmente no tecido; o processo requer habilidade e tempo, pois o padrão deve ser estampado repetidamente no tecido, cor por cor. As pequenas irregularidades humanas - inevitáveis ​​no trabalho manual - criam o efeito artístico emblemático das estampas de blocos. O resultado final desse intrincado trabalho é uma beleza intemporal, e cada peça de vestuário feita com esse tecido é única. 


        O mestre de impressão deve alinhar cuidadosamente cada bloco como ele imprime, usando o "guia" esculpido na borda esquerda do bloco como seu marcador. Cada impressora tem um estilo ligeiramente diferente, que é considerado sua aparência de 'assinatura'. O mestre de impressão deve seguir o mesmo padrão de alinhar os blocos com cada cor sobre o desenho. As lacunas e sobreposições sutis são um belo lembrete do trabalho manual e dão impressão em bloco de aparência icônica. Todas as estampas exemplificam essa estética e têm um padrão sutil de luz / escuridão em todo o design. 
      As aldeias de impressão de blocos são conhecidas pelo som rítmico de "tock-tock" da impressora de bloco que bate no bloco de madeira para "carimbar" o padrão. É um som encantador que ecoa pela aldeia e é um lembrete do significado do trabalho artesanal.















Cada região da Índia desenvolveu maneiras bastante características de aplicar o block printing, que reflete as raízes históricas e culturais de onde foi criado. No Rajastão, por exemplo, os desenhos coloridos de pássaros, animais, figuras humanas e deuses são bastante populares. Já na vila de Gujart, os motivos seguem uma linha mais geométrica, com cores mais quentes e pigmentos extraídos da natureza; o vermelho vem de raízes, o preto de uma solução de ferro com ferrugem e o azul vem do índigo, uma planta historicamente conhecida por fornecer essa cor tão característica. Quanto à execução, existem três técnicas principais:



  • Block Printing Direto: aqui, o algodão ou tecido de seda é primeiro branqueado e em seguida é tingido, a menos que um fundo claro seja desejado. Depois disso, o tecido é impresso usando blocos esculpidos, primeiro os blocos que fazem as linhas do desenho e, em seguida, os que preenchem as cores.

  • Block Printing por Resistência: essa é uma técnica tradicional do Rajastão, também conhecida como Dabu Printing. Aqui, as áreas que devem ser protegidas do corante são cobertas com uma mistura de argila e resina, aplicados com o carimbo de madeira. O tecido tingido é então lavado e a estampa se revela. Pequenas imperfeições deixam o tecido ainda mais interessante, já que o corante se espalha nas áreas protegidas através de rachaduras, produzindo um efeito levemente ondulado nos desenhos.



  • Block Printing por Remoção: Nesta técnica, o tecido é tingido. Em seguida, um produto químico é aplicado com os carimbos de madeira, para remover o corante do tecido e criar os desenhos.







                                                 



Gostou? Para comprar esses e outros modelos únicos visite a loja 



Fontes:
https://en.wikipedia.org/wiki/Woodblock_printing
http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda
https://ohsobeautifulpaper.com/2012/01/the-printing-process-block-printing/

terça-feira, 11 de setembro de 2018

A henna e suas curiosidades físico-químicas 


Este artigo pertence integralmente a: HTTPS://ALEMDOLAB.WORDPRESS.COM/2015/02/04/A-HENNA-E-SUAS-CURIOSIDADES-FISICO-QUIMICAS/

Ultimamente a henna tem ganhado mais espaço no mercado por se tratar de uma coloração natural, mas muita gente não tem ideia de como ela realmente “funciona”. Mesmo no meio científico, a henna ainda possui vários mistérios quanto ao seu comportamento em nível molecular. O objetivo do post de hoje é esclarecer algumas dúvidas com base em artigos científicos.
1
Nossa lawsonia inermis querida, a henna
A lawsone, pigmento responsável pela coloração dos cabelos, não ocorre como moléculas livres nas folhas da lawsonia inermis (nome científico da henna). Elas se encontram ligadas a outras moléculas presentes nas células vegetais da planta. Assim, a lawsone só começa a ser liberada após a preparação da mistura da henna, quando adicionamos a ela um líquido levemente ácido (sumo de limão ou laranja, vinagre, alguns tipos de chás como o hibisco, etc…tudo diluído em água para não acidificar demais). A lawsone consegue, em parte, ser liberada quando misturamos a henna só com água quente, pois assim as paredes celulares das células vegetais também conseguem ser rompidas, liberando o pigmento. Entretanto, elevadas temperaturas tendem a danificar a estrutura da lawsone, prejudicando sua ligação com os grupos amina da queratina dos cabelos. Já o líquido levemente ácido consegue romper as paredes celulares sem danificar a lawsone, liberando mais eficientemente o pigmento. O ideal nas misturas de henna é utilizar algo ácido, mas diluído, para que a mistura pronta não fique com acidez muito abaixo da acidez natural dos cabelos, o que pode ressecá-los. Para quem não quer usar ácidos, a melhor opção é fazer a mistura só com água em uma temperatura não muito elevada. Não encontrei nada muito concreto sobre a temperatura máxima, mas particularmente eu não passaria dos 35-45°C, que é a temperatura comum de crescimento da lawsonia.
2
Alá a célula vegetal. É a parede celular que precisa ser rompida para a liberação da lawsone (pigmento)
A lawsone também é chamada de 2-hidroxi-1,4-naftoquinona. 2-hidroxi, pois a hidroxila (OH) ocorre ligada ao segundo carbono do anel aromático; 1 e 4 são as posições das ligações duplas de oxigênio com o primeiro e o quarto carbonos, nafto é porque a substância é derivada do naftaleno (que possui 2 anéis aromáticos) e quinona, pois além de ser derivada de compostos aromáticos, possui grupos C=O ao invés de somente C-H.
3
Geometria molecular da lawsone
A reação por meio da qual a lawsone se liga à queratina dos cabelos é esta abaixo. Ligações duplas e triplas sempre são mais instáveis do que ligações simples devido a questões de geometria das moléculas, por isso é a ligação dupla entre um C e um O da lawsone que é rompida.
4
Lembrando lá atrás do conceito de eletronegatividade do colegial, quanto mais eletronegativo um elemento, mais ele tem facilidade em atrair os elétrons de outro elemento. E a sequência básica, do mais eletronegativo para o menos eletronegativo, é: F, O, N, Cl, Br, I, S, C, P, H, METAIS. Assim, o oxigênio daquela ligação dupla da lawsone passa a se ligar ao H2 da amina da queratina, pois ele é “mais forte”, mais eletronegativo do que o N que antes estava lá. Forma-se, assim, uma molécula de água, com o H, que é “fraco” e o O, que é “forte”. E o N da molécula de queratina é atraído para a ligação dupla com o C da lawsone: o N “forte” com o C “fraco”.
A ligação entre a lawsone e a queratina é considerada uma base de Schiff, pois apresenta uma ligação dupla entre um carbono e um nitrogênio, sendo o último ligado a um grupo arila ou alquila sem hidrogênio. Esse grupo funcional possui como característica uma estrutura bem estável, por isso a henna tende a desbotar muito pouco dos cabelos ao longo do tempo. Entretanto, isso não quer dizer que não tenhamos que tomar cuidado com o que aplicamos nos cabelos, pois pode haver interação entre alguns produtos e a henna, podendo quebrar essas ligações estáveis (há relatos de que alguns tipos de óleos utilizados para umectação podem desbotar a henna, como o óleo de coco, que por ser altamente penetrante, chega ao córtex dos fios).
Uma coisa muito importante é que como a fixação da henna depende das ligações entre a lawsone e a queratina, se os cabelos não estiverem em boas condições, a henna pode desbotar mais, porque neste caso essas ligações podem ficar prejudicadas.
Já o uso de shampoos após a aplicação da henna é totalmente liberado, apesar de ainda existir um mito de que isso pode desbotar a henna. Os principais componentes dos shampoos são surfactantes aniônicos e não iônicos, que apenas possuem a função de, juntamente à água, criar uma emulsão que permite a “solubilização” do sebo dos cabelos para facilitar a sua limpeza, atuando apenas na superfície dos fios e nada mais. Uma possível relação indireta entre os shampoos e o desbotamento da henna seria o fato de que surfactantes mais agressivos podem danificar os cabelos ao longo do tempo, e cabelos danificados, como já dito, podem ter as ligações lawsone-queratina afetadas (quem quiser saber mais a respeito de surfactantes e da ação dos shampoos, já escrevi a respeito: https://alemdolab.wordpress.com/2014/11/05/entendendo-os-surfactantes/).
Além da lawsone, a lawsonia inermis apresenta cerca de 100 outros constituintes, incluindo compostos fenólicos (cumarinas, flavonoides, taninos, naftalenos, naftoquinonas, xantonas, lignanas, alquilfenonas), terpenos (voláteis e não voláteis), esteroides, alcaloides entre outros. Todos esses componentes agem de maneira benéfica quando aplicados nos cabelos, por serem antibacterianos, antifúngicos, antiparasíticos, antiinflamatórios e antioxidantes. Além dos benefícios mais cosméticos, há estudos que comprovam inclusive que a henna possui efeito anticancerígeno.
A henna não possui a capacidade de clarear os cabelos. Ela apresenta apenas pigmento natural e não contém nenhum grupamento relacionado à descoloração.
Um pigmento é caracterizado por sua habilidade de absorção seletiva. Ele absorve parte dos comprimentos de onda da região visível do espectro eletromagnético, transmitindo a parte não absorvida como cor. No caso da lawsone, os comprimentos de onda correspondentes aos intervalos de cor amarela, laranja e uma parte da vermelha é que são  transmitidos. Geralmente, quando aplicamos a henna nos cabelos a cor final é um tom laranja/cobre, pois esta é a cor que prevalece sobre o amarelo e acaba prevalecendo sobre o vermelho, já que nem todo o intervalo do vermelho é transmitido.
Exatamente pelo fato da lawsone ser um pigmento é que dizemos que “a cor da henna é mutante” sob diferentes iluminações.
O sol possui um espectro razoavelmente uniforme. Já as luzes artificiais tendem a apresentar grandes picos e vales em parte de seus espectros. A cor que enxergamos do pigmento lawsone nos cabelos hennados depende da interação desses espectros das luzes com o espectro do pigmento, pois a absorção e a transmissão variam de acordo com a luz incidente. É por isso, então, que a cor dos cabelos varia tanto de ambiente para ambiente.
Nossos cabelos virgens também contêm pigmento, a famosa melanina. Existem 2 tipos de melanina, uma que confere coloração castanha a preta (eumelanina) e outra amarela a vermelha (feomelanina). A eumelanina é a mais presente em todas as cores de cabelos, sendo que quanto mais escuros os fios, maior a sua quantidade. A feomelanina é presente em pouquíssimas quantidade, sendo quase nula nos cabelos escuros, um pouco maiores nos cabelos loiros e maiores ainda nos cabelos ruivos. A eumelanina absorve a maior parte do comprimento de onda da região do visível. Por isso, as variações de espectro das luzes não interferem tanto na cor final que observamos dos cabelos virgens (o que percebemos mais é o brilho).
Já quando passamos henna nos cabelos, há uma grande adição de pigmento, e um pigmento bastante seletivo em relação à transmissão de luz. Isso resulta nas diferentes cores que observamos à cada nova iluminação. As convencionais químicas também contêm pigmentos (em menor quantidade) que agiriam de forma semelhante, porém são adicionados a elas componentes químicos responsáveis por ajudar a estabilizar a cor final, inibindo um possível caráter mais mutante. 😛
5
Espectrograma mostrando a absorção e a transmissão de vários tipos de luzes. Enquanto a luz do sol transmite mais os comprimentos de onda do amarelo e do laranja, as luzes artificiais no máximo transmitem pequenos picos nesse intervalo. Por isso nossos cabelos hennados parecem mais bonitos com luz direta ou indireta do sol 🙂
Outra coisa bem interessante é que existem estudos que mostram que a lawsonia inermis age como protetora contra raios UV, porém o fenômeno ainda não é bem compreendido. Existem diversas plantas que agem dessa maneira, mas a lawsonia parece ser uma das melhores plantas bloqueadoras desses raios.
Enquanto estamos com a henna nos cabelos, a maior parte da lawsone age na coloração dos mesmos, porém cerca de 1% dela é absorvida pela corrente sanguínea, através do couro cabeludo, e depois é eliminada com a urina (eu já percebi isso na prática, e você!? Hehe!).
Dentre todas as curiosidades a respeito da henna, a que mais intriga quem a usa é seu processo de oxidação, que resulta no escurecimento dos cabelos. Esse escurecimento varia de pessoa para pessoa, mas geralmente é leve. Depois de ler e estudar vários artigos em busca da explicação desse processo, só consegui chegar a uma “suposição” baseada na comparação dos compostos da lawsonia com outros vários colegas do reino vegetal.
A reação entre as moléculas de queratina dos cabelos e as moléculas de lawsone faz com que esta perca elétrons. Por isso dizemos que a lawsone sofre oxidação.
Assim como diversas plantas, a lawsonia inermis possui elevadas quantidades de polifenóis, que são antioxidantes naturais responsáveis, entre outras coisas, pelo combate aos radicais livres. Alguns compostos fenólicos são incolores e outros, como a polifenoloxidase, possuem pigmentação. É sabido que a polifenoloxidase é responsável pelo escurecimento de plantas, leguminosas e frutas expostas ao meio ambiente (exposição ao O2, basicamente). Entretanto, sua ação e detalhes das reações em que participa ainda não são completamente entendidos pelos cientistas.
Consegui encontrar a informação de que a lawsonia inermis contém polifenoloxidase. Também sabemos que depois que aplicamos a henna nos cabelos, os mesmos escurecem devido à oxidação da lawsone. Não encontrei nenhuma informação que explicasse diretamente o escurecimento dos cabelos, mas para mim faz muito sentido que seja por meio de um processo análogo ao que ocorre com outros vegetais que contêm polifenoloxidase.
Minha suposição, então, é que após a aplicação da henna e a fixação da lawsone nos cabelos, a polifenoloxidase reage com o oxigênio do ar, produzindo compostos chamados quinonas. Essas reações são muito comuns em uma infinidade de outros vegetais, e as quinonas às quais me refiro aqui são outras além daquelas já existentes na lawsonia. As novas quinonas, por sua vez, polimerizam-se formando moléculas de melanina. A melanina, como sabemos, é um pigmento que gera tonalidades castanhas a avermelhadas. Esse processo todo é muito comum no reino vegetal, se considerarmos as espécies que possuem polifenoloxidase. Hoje, os cientistas sabem que essas reações ocorrem, mas não entendem bem o porquê. Há suposições de que a polifenoloxidase age como mecanismo de defesa contra bactérias, fungos, pragas, etc. A oxidação e consequentemente o escurecimento são naturais, não há como evitá-los, pelo menos por enquanto. Já existem estudos envolvendo testes sobre inibidores da ação da polifenoloxidase, mas ainda nada muito concreto.
Por fim, quero falar sobre algo que li no primeiro artigo que cito nas fontes, no fim deste post. Como os autores comentam a respeito da relação da henna com gravidez, acho importante também falar sobre isso.
Retirei o parágrafo abaixo diretamente do texto, para quem se interessar. Basicamente, os autores dizem que aparentemente a aplicação externa da henna na pele e nos cabelos não causa efeitos adversos em grávidas saudáveis (mesmo porque somente 1% da pasta de henna costuma ser absorvida pela corrente sanguínea durante a aplicação). Entretanto, mulheres africanas costumam usar extrato aquoso das raízes da henna como contraceptivo e para estimular o aborto durante os primeiros dois meses de gravidez. Só quis deixar esse alerta porque vai que tem alguma aloka com a planta em casa e resolve fazer um chá, sei lá.
“Although external application of henna paste to hair or skin does not appear to have any adverse effect on healthy pregnant humans, there is some evidence that exposure of organisms to henna extracts affects their ability to propagate. Findings that henna reduces fertility and induces spontaneous abortion in mammals imply that there is substance to the ethnobotanical use of aqueous root extracts of the plant in African countries by women as a contraceptive (Agunu et al.,2011) and to encourage abortion during the first two months of pregnancy (Perinet et al., 2011; Zumrutdal and Ozaslan, 2012).”
Espero que tenham gostado da pesquisa. E qualquer sugestão, é só me escrever 🙂
ATUALIZAÇÃO:
Devido a grande quantidade de dúvidas, faço um adendo a este post a respeito do efeito do pH nos cabelos, que é uma informação importante para quem quer hennar utilizando solução levemente ácida.
1) Se quando expostos por várias horas a soluções com pH menor que 2 os cabelos sofrem alterações estruturais irreversíveis, a gente pode pensar que em pH abaixo de 3 os cabelos podem sofrer alterações mais brandas. Essas alterações são devidas à acidólise das proteínas dos cabelos.
2
2) Se as proteínas dos cabelos, que são a parte mais resistente, “sofrem” com meios muito ácidos (ou alcalinos também), imagine o complexo de membrana celular, que seria a parte mais “molinha” dos fios que é responsável por manter as cutículas ligadas. A última frase do recorte abaixo diz que ácidos, etntre outras coisas, também atacam o complexo de membrana celular.
CellMembrane
Ou seja, lembrem-se que a solução deve ser LEVEMENTE ácida 😉
ATUALIZAÇÃO 2: Resolvi acrescentar uma observação, pois percebi que para algumas pessoas alguns conceitos ainda não estão claros. O pigmento lawsone é liberado quando usamos tanto água morna quanto água (fria ou morna) + agente ácido. O que acontece é que com ácido a liberação torna-se mais eficiente. E o que isso quer dizer? Imagine que tenhamos 10 moléculas de pigmento que podem ser liberadas. Segundo os estudos científicos, a mistura levemente ácida faria com que as 10 moléculas fossem liberadas, enquanto que somente com água morna teríamos 8 moléculas liberadas (isso é um exemplo fictício, ok!?). Então, para quem busca resultados menos intensos com a henna, o uso somente de água morna pode já ser suficiente. Mas para quem busca resultados mais intensos, é interessante buscar a maior eficiência de liberação de pigmento, portanto, utilizando-se uma mistura levemente ácida.
FONTES:
Semwal et al. Lawsonia inermis L. (henna): Ethnobotanical,phytochemical and pharmacological aspects. Journal of Ethnopharmacology, nº 155, p. 80–103. 2014.
Gallo et al. Henna through the centuries: a quick HPTLC analysis. Rev. Bras. Farmacogn., nº24, p. 133 – 140. 2014.
Boonsong et al. Natural pigments from six species of Thai plants extracted by water for hair dyeing product application. J. of Cleaner Production, nº 37, p. 93 – 106. 2012.
Habbal et al. Antibacterial activity of Lawsonia inermis Linn (Henna) against Pseudomonas aeruginosa. Asian Pac. J. Trop. Biomed. nº 1(3), p. 173-176. 2011.
Hsouna et al. Antioxidant constituents from Lawsonia inermis leaves: Isolation, structure elucidation and antioxidative capacity. Food chemistry, nº 125, p. 193 – 200. 2011.
Zohourian et al. Polyphenolic Contents and Antioxidant Activities of Lawsonia Inermis Leaf  Extracts Obtained by Microwave-assisted Hydrothermal Method. J. of Microwave Power and Electromagnetic Energy, nº 45 (4), p. 193-204. 2011.
Mayer. Polyphenol oxidases in plants and fungi: Going places? A review. Phytochemistry, nº 67 p. 2318–2331. 2006.
Zoccola et al. Near Infrared Spectroscopy as a Tool for the Determination of Eumelanin in Human Hair. Pigment Cell Res., nº17, p.379-385. 2004.
Amro et al. A quantitative study of dyeing with lawsone. J. Soc. Cosmet. Chem, nº 45, p. 159 – 165. 1994.
Monks et al. Contemporary issues in toxicology: Quinone Chemistry and Toxicity. Toxicology and applied pharmacology, nº 112, p. 2 – 16. 1992.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Shikakai - Ela Nasceu Para Os Cabelos!




Shikakai - o fruto para os cabelos

Originário do Índia central, o Shikakai é uma alternativa natural e saudável aos shampoos industrializados que podem fazer mal ao organismo humano, além de poluir as águas. Amplamente utilizado na Índia, este fruto da árvore Acacia concinna é capaz de garantir inúmeros benefícios para o cabelo, além de fornecer um aspecto rejuvenescido e saudável.

Shikakai é mais conhecido pelo shampoo natural derivado de sua fruta. Os ramos espinhosos têm listras lisas marrons - os espinhos são curtos. As flores são cor-de-rosa. As vagens são espessas, um pouco achatadas, espremidas, com 8 cm de comprimento, 1,5-1,8 cm de largura.

Shikakai tem muitas qualidades terapêuticas. É popularmente referida como "fruta para o cabelo", pois tem um pH naturalmente suave, que limpa suavemente o cabelo sem despojá-lo de óleos naturais. Shikakai é usado para controlar a caspa, promovendo o crescimento do cabelo e fortalecendo as raízes dos cabelos.


O que é Shikakai


Shikakai é o fruto da planta Acacia concinna, como dito acima. O diferencial do Shikakai em relação às outras alternativas naturais é que o Shikakai produz espuma como se fosse um shampoo. A casca contém níveis elevados de saponinas, as quais são encontrados em vários agentes de outras espécies de plantas utilizadas como champôs ou os sabões de formação de espuma. Plantas contendo saponina têm uma longa história de utilização como agentes de limpeza suaves. As saponinas a partir de vagens da planta ter sido tradicionalmente utilizado como um detergente. Porém, muito além da espuma, o Shikakai  é realmente capaz de limpar o cabelo de forma muito eficaz, graças às suas propriedades e nutrientes. Há algum tempo, era necessário comprar os frutos e folhas de Shikakai  e então moê-las para se obter o pó necessário para aplicação no cabelo. 

Hoje em dia isso não é mais necessário, tendo em vista que eu trouxe o pó de Shikakai  da Índia e o revendo através do mercado livre.


Benefícios do Shikakai

Já falei sobre o uso de Shikakai como shampoo para o cabelo, mas você vai se surpreender com os usos e benefícios de Shikakai para a pele, especialmente no tratamento de doenças de pele. Pode tratar doenças relacionadas com a pele, como sarna, psoríase, acne, pele desidratada e o uso regular de Shikakai sobre a pele pode prevenir infecções de pele. Shikakai além de sua utilização como um pó de lavagem de cabelo também trata várias doenças do couro cabeludo.

Devido aos nutrientes presentes no Shikakai , tais quais a vitamina A, D, E e K, além de antioxidantes, este fruto é de grande valia e auxílio na melhora da saúde dos cabelos. 

Isso já é sabido ao menos na Índia, onde tem sido usado por centenas de anos como shampoo natural.


Resumo de todos os benefícios que Shikakai trará aos seus cabelos:

• Previne e elimina a caspa

• Tem ação de shampoo e condicionador, pois não elimina os óleos naturais do couro cabeludo

• Nutre completamente o cabelo, fazendo-o crescer mais rápido e saudável

• Tem baixos níveis de pH, garantindo que não haja a remoção dos óleos naturais do cabelo

• Fortalece os cabelos, evitando pontas duplas

• Fortalece completamente as raízes, dando aspecto mais cheio

• Também pode ser utilizado para limpar o rosto e o corpo, através da utilização de uma espuma de banho


Modos de Uso
Como shampooA maneira mais comum de utilizá-lo é adicionar a seu pó algumas gotas de água e preparar uma pasta. Esta pasta pode ser aplicada diretamente sobre os cabelos umedecidos e depois enxaguada. A pasta deve ser utilizada como se fosse um shampoo normal para limpeza dos cabelos. Vai aplicando nos cabelos e esfregando levemente para formar espuma. Não é muita espuma como os shampoos industrializados.





Assista ao video!!!








Óleo de tratamento: Adicione uma colher de sopa de Shikakai em pó a meia xícara de óleo de coco. Pode acrescentar outras ervas de tratamento como a Amla, o Neem e a Cassia. Coloque a mistura em um recipiente e deixe-a curtir por alguns dias. Continue agitando-o ocasionalmente.




  • Mistura de Shikakai e iogurte também é excelente para o seu cabelo. Aplique nos cabelos e lave-os após 15-20 minutos.
  • Problemas de pele: Deve misturar Shikakai com cúrcuma e aplicar em todo o corpo. Ambos shikakai e cúrcuma tem propriedades antifúngicas, antimicrobianas e antibacterianas, o que torna esta lavagem eficaz para a sarna.

Nos primeiros dias, a utilização de shikakai como shampoo pode trazer a sensação de secura e ressecamento dos fios. Isso não deve gerar preocupação, pois é um resultado normal. Caso a sensação seja incômoda demais, é possível que após a utilização do shikakai você aplique um condicionador de sua preferência aos cabelos, ou mesmo um pouco de óleo para pentear, até que se adapte completamente a este produto natural.

É importante ter em mente que cada organismo tem uma forma única de reagir diante da aplicação de determinados produtos, portanto o resultado para uns não é o mesmo para outros.



 Clique aqui para comprar ⇒ Loja Iara Henna





Fontes:
https://www.healthbenefitstimes.com/shikakai/
http://www.flowersofindia.net/catalog/slides/Shikakai.html
https://www.bimbima.com/ayurveda/medicinal-use-of-shikakai-acacia-concinna/1056/